segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Gurdjieff, o melhor agente da guerra cultural...

"O senhor, já leu a obra Tertium Organum, do Ouspensky?"
George Gurdjieff
George Gurdjieff

Bom, Ouspensky foi um dos primeiros alunos do George Gurdjieff, quando Gurdjieff chegou na Europa. Gurdjieff era um matemático de formação, um homem de mente logica. E ele(Ouspensky) tratou de dar ao ensinamento recebido do Gurdjieff os tons de uma doutrina organizada, logicamente organizada. O que o Gurdjieff fez? Deu uma risada. (Porque percebeu que Ouspensky tomou a sério tudo que Gurdjieff disse.) Gurdjieff considerava Ouspensky um gênio ingênuo. O Gurdjieff tinha razão porque ele(Gurdjieff) era o que eu chamo de o gozador cósmico. Ele veio pra fazer uma gigantesca piada e fazer todo mundo de palhaço. Para que? Para debilitar a cultura ocidental, debilitar a intelectualidade européia e abri-la à influencias orientais, sufistas, etc.

O Gurdjieff era contemporâneo do René Guénon. Guénon tinha horror do Gurdjieff, mas o que ele fazia contra o Gurdjieff? Nada! Do mesmo modo como eu observei mais tarde, quando você pega o sucessor do Gurdjieff que é o Idries Shah, o pessoal ligado à Tariqa do Schuon tinha horror ao Idries Shah mas não fazia nada contra ele. Não diziam uma palavra. Porque "alguém lá em cima gosta de mim", como se tivesse um comando que não é pra brigar. Eles não brigavam evidentemente.

O Ouspensky é o sujeito que pegou uma piada de dimensões cósmicas... (e levou a sério).

O Gurdjieff não era um gozador nem um vigarista no sentido vulgar da coisa. Uma cena característica do Gurdjieff: Ele chegou a Nova York e decidiu dar uma entrevista coletiva à imprensa. E apareceu por lá de 30 a 40 repórteres. e o Gurdjieff começou a falar e explicar para eles que todas as ações humanas tinham motivação sexual. Tudo que você fazia. Cada palavra, cada gesto tudo era sexo. E foi criando uma atmosfera de excitação sexual. E os caras já estavam começando a agarrar as mulheres e a fazerem suruba, ai ele disse: Para! Para! Eu disse só para ilustrar a teoria. Veja o domínio que esse sujeito tinha sobre as pessoas. Ele era um grande artista, um gênio fantástico, só que você não pode levar a sério nenhuma palavra do Gurdjieff. Tudo tem uma finalidade psicológica que é desmontar a sua sua auto estima sua auto confiança e tornar você crédulo e vulnerável a qualquer coisa. Que coisa? Algo que vinha depois. Então é a mesma coisa de você dizer nunca existiu uma doutrina Gurdjieff, só existiu uma devastação intelectual que ele fez e fez brilhantemente. 

A classe médica britânica, ele dominou inteira. Transformava cientistas em officeboys dele. Um negócio impressionante. Pegava gente do serviço secreto (Ex: o alto oficial do serviço secreto britânico John G. Bennett que depois escreveu uma biografia do Gurdjieff) acreditavam no Gurdjieff cem porcento e o Gurdjieff ria deles pelas costas. Assim como a turma do Idries Shah. Eu vi. No Idries Shah você tinha a massa de devotos e tinha a elite de comando. Quando ele via que alguém tinha jeito de formador de opinião, ele puxava pra entrar na linha de comando. E a primeira informação que você recebia, ao ser chamado para a linha de comando, era "tudo isto aqui é uma palhaçada, esses caras são uns idiotas e nós vamos tomar o dinheiro deles até o fim. Eu recebi esta informação.

Eu fui convidado para entrar na elite. A elite fazia o que? Repartir o dinheiro, era assim o negócio. O Idries Shah tinha muito mais objetivo financeiro do que o Gurdjieff. O Idries Shah era intelectualmente muito inferior ao Gurdjieff. E em matéria de poder psicológico ele era 10% do Gurdjieff. Então o Gurdjieff era um grande gênio e teve uma missão a cumprir na Europa. A missão era devastar, fazer o caos intelectual de maneira que na geração seguinte as pessoas estejam seriamente pensando em "entrar pro Seicho-no-ie, ou qualquer coisa assim".

Voz: Eu me lembro de uma época no Brasil em que ele(Gurdjieff) ficou muito popular. Tinha um livro, nos anos 70, que se chamava "Encontros com Homens Notáveis (autobiografia de Gurdjieff) e depois teve um filme (Meetings with Remarkable Men de 1979 de Peter Brooks) baseado também nas histórias de Gurdjieff. Ou seja, ele era incrível porque ele penetrou em esferas para "comunizar" o mundo inteiro.

Olavo: Peter Brooks era membro de uma escola Gurdjieff (Peter, não Richard.)

Ele penetrou em altas esferas mesmo. Agora, eu digo sinceramente, o melhor leitor que o Gurdjieff teve no Brasil foi eu. Só eu entendi que era uma gozação, não uma gozação simples nem uma vigarisse. Era um plano que tinha uma penetração psicológica muito mais funda do que a aparente doutrina. Veja o Gurdjieff reunia grupos de cientistas lá no castelo do Prieuré e dizia: Vou da uma aula de cosmologia. Daí ia lá e expunha no quadro negro o sistema cosmológico com todas as equações etc. O pessoal ficava deslumbrado porque eram teorias físicas ultra modernas que ninguém teria suspeitado jamais. Daí no dia seguinte o Gurdjieff chegava e dizia: Não é nada daquilo. Eis aqui outro sistema. E expunha. Coisas que um físico levaria anos para conceber o Gurdjieff em 10 minutos concebia, botava na lousa, enganava cientistas profissionais. Daí todo mundo ficava deslumbrado com o segundo sistema, no terceiro dia tinha um outro e no quarto tinha um outro. Ele "criava 10 sistemas cosmológicos" capazes de enganar cientistas profissionais. Depois disso o que acontecia com eles? Eles entravam em estado de "snapping", onde você está totalmente desorientado, perde a capacidade do discernimento e agora aceita qualquer coisa. Que é uma coisa que outros gurus aplicam em jovenszinhos, estudantes etc etc. Mas o Gurdjieff aplicava isso em cientistas e os caras caíam. Em agentes dos serviços secretos. Os caras caíam. Em governantes, em grandes escritores. E os caras caíam. E eram levados quase ao desespero. Leiam o livro do Monsieur Gurdjieff do Louis Pauwels. É um livro contra o Gurdjieff, mas ele mostra que ele ainda tem temor reverencial dentro dele pelo Gurdjieff, passados 30 anos. Arthur Koestler que acabou estourando os miolos (junto com a esposa). Nunca teria acontecido isso se tivessem passado pela escola Gurdjieff. 

O Gurdjieff foi um agente da guerra cultural. O melhor agente que a guerra cultural já teve. Sem Gurdjieff todo esse negócio de islamismo e etc... as pessoas tinham uma defesa instintiva contra isso, o Gurdjieff foi lá e desligou essa defesa instintiva. E com isso o Ouspensky que não entendeu absolutamente nada, mas entendeu à sua maneira, entendeu que era uma doutrina científica séria. E a expôs e o Gurdjieff riu da cara dele.

Aula 319 - 1h33m15s

Anexo: Quem é Gurdjieff?



A escola é apenas um teatro...

O primeiro passo do método filosófico é a "Anamnese pela qual o filósofo rastreia a origem das suas crenças e assume a responsabilidade por elas." (trecho do livro a filosofia e seu inverso, Olavo de Carvalho) Logo, tendo em vista a "Filosofia de Platão", a anamnese é o primeiro passo do rumo da investigação filosófica.

O passo inicial de Platão tinha de ser o exame dos modelos de ordem disponíveis para ele: 
  1. A ordem cósmica. Da qual a antiga ordem social grega era uma cópia em miniatura.
  2. A personalidade de Sócrates, de onde Platão via a encarnação mesma do spoudaios, o homem plenamente desenvolvido, de alma justa, veraz e ordenada.
Toda a filosofia de Platão será́ uma tentativa de articular esses dois modelos num quadro mais amplo, justificando sua existência das duas como expressões de leis universais permanentes.

Trecho da aula:
Este é o primeiro passo que eu chamo de anamnese. Mas é claro que antes desse passo existe o "espanto". "Thambos" como dizia Aristóteles. Um choque cognitivo, um impacto cognitivo, de uma absurdidade, de uma perplexidade de um enigma, e assim por diante. Esse enigma tem que tocar a alma do filósofo profundamente porque se ela for apenas uma curiosidade acadêmica, ela produzirá apenas uma tese acadêmica, uma discussão acadêmica, uma coisa mais superficial. A profundidade do impacto corresponde à profundidade da resposta. Profundidade, valor e força da resposta que o filósofo oferece.

Nesse sentido, a pior maneira de tomar conhecimento de um problema é através do currículo acadêmico. É claro que no currículo acadêmico sempre vai aparecer uma dificuldade, por exemplo duas idéias opostas, uma pergunta sem resposta, mas não aparece existencialmente. Aparece apenas como parte da sua educação escolar.


Nunca esqueçam que a escola é um teatro. Nada do que se faz em uma escola é real. Tudo imitativo. Por exemplo se você vai estudar medicina, muitos anos antes de pegar um doente de verdade você vai estudar coisas em modelos imaginários. Então, toda escola, inclusive a universidade, é um teatrinho, onde em vez de enfrentar a vida real, você esta enfrentando uma situação diminuída e atenuada à proporção da sua capacidade ainda incipiente. A escola existe pra isso. Se você quer aprender boxe, o cara não vai te jogar de cara em cima do ringue para lutar com o Mike Tyson. Você vai ficar dando socos em saco de areia ou lutar com outro inepto como você até você poder enfrentar uma situação real. Também no treinamento militar. Ninguém vai pegar você e te jogar no Afeganistão na primeira semana, ninguém vai fazer isso. Você antes vai lutar guerras de mentirinha. Exercícios...manobras.

Então, toda escola é um ambiente teatral. Aquilo que chega para você apenas como desafio escolar, não vai tocar sua alma profundamente. A não ser que você, tendo tomado conhecimento do problema na esfera escolar, procure o equivalente dela na sociedade real.

Aula 324 - 0h17m57s



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Sou estranho para minha própria família...

Em primeiro lugar, você não tem que convencer sua família de nada, você tem que virar as costas à essas pessoas, não no sentido de deixar de amá-las, mas de amá-las sem a esperança de retribuição, sem "feedback", como você amaria uma pessoa qualquer que você não conhece. Você pode ajuda-los mas não pode esperar nada deles. Isso é básico. Você tem que "largar a família" e se integrar no meio de pessoas semelhantes a você. "Largar a família" não quer dizer você parar de conviver com eles, nem quere-los mal. Quer dizer o contrário, ajuda-los mas não esperar o diálogo, nunca.

Você está lidando com a massa dos ignorantes. E os ignorantes são perigosos, são hostis, são invejosos, são fofoqueiros não servem para nada. Você tem que orar por eles, tentar ajuda-los, materialmente se possível, no que eles precisarem mas não ter dependência emocional deles. Quanto à sua esposa, você vai em frente ela que vem atrás. Não fique esperando convence-la. Você tem que ir em frente. Ou ela vem atrás de você ou não vem.

O brasileiro alem de ser um povo que tem um desprezo tradicional pela consciência, pelo conhecimento etc, é um povo fraco e portanto tem uma carência afetiva monstruosa. Fica sempre buscando ser aprovado, ser o bom menino, receber afagos...você vai ter que renunciar a isso. Você tem que escolher as pessoas cujo julgamento lhe interessa e os outros não interessa. Sem isso é impossível.

O que Dizia Hugo de São Vitor: "Eu não posso ensinar filosofia ao aluno que tem saudade da cabana onde nasceu." Não dá pra ensinar. Você tem que dizer adeus. Você passou para um plano superior, desde o qual você pode ajudar essas pessoas, mas não pode receber nada delas. É só você renunciar a receber, renunciar a compreensão, renunciar a amizade, renunciar ao apoio e tá tudo resolvido. Você tem que procurar esse apoio em pessoas que estão te compreendendo. Os outros não interessa. Isso vai diminuir o seu círculo? Claro que vai, mas vai melhorar qualitativamente.

Aula 323 - 0h53m48s

A Verdadeira Amizade

O Brasil está cheio de pessoas talentosas e bem intencionadas, mas elas estão perdidas no meio de 180 milhões de habitantes e separadas umas das outras. Esta separação e a solidão enfraquecem as pessoas perante os grupos sociais que lhes são estranhos. Um dos segredos básicos da vida é você conseguir se aproximar de pessoas que têm os mesmos objetivos e os mesmos valores que você. São Tomás de Aquino já definia a amizade no seguintes termos: “idem velle, idem nolle”, ou seja, é seu amigo aquele que quer as mesmas coisas que você e rejeita as mesmas coisas que você. Sem você encontrar um grupo que se identifique com os seus objetivos e valores, é claro que você estará isolado perante grupos que serão ou estranhos, ou hostis — grupos que não compreenderão você e julgarão você um ET, um doente mental ou um marginal —, e isso vai enfraquecê-lo formidavelmente ao longo do tempo.

Também não podemos esquecer que Aristóteles considerava a amizade a base da própria sociedade política. Embora a amizade não seja um fenômeno político no sentido em que atualmente o entendemos, se não existisse a tendência humana de formar grupos que estão unidos pela amizade — pela comunidade de objetivos e valores — a sociedade política não seria possível.

Uma coisa ainda bastante óbvia é que a amizade é também um dos pilares sobre os quais se constitui a nossa personalidade. Se você não encontra os amigos adequados, que partilham dos mesmos valores que você, você vai acabar se associando a outros grupos, que lhe oferecerão apoio e amizade em troca da sua corrupção, em troca de você desistir de ser quem você é, em troca de você abandonar seus próprios valores e fazer sacrifícios inúteis e abjetos no altar de uma falsa amizade. Este curso deve também servir de ocasião para a formação de amizades verdadeiras, fundadas na comunidade de objetivos vitais e na comunidade de valores. “Idem velle, idem nolle”: querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas, ou, dito de outra forma, amar as mesmas coisas e odiar as mesmas coisas.

Aula 01 - 0h06m12s

PS:
"Idem velle atque idem nolle, ea demum firma amicitia est."
Ter as mesmas vontades e as mesmas repugnâncias, eis o que constitui uma amizade sólida.
Salústio, De coniuratione Catilinæ, XX, 4.


"Ubi vera amicitia est, ibi idem velle, et idem nolle, tanto dulcius, quanto sincerius.“
Onde está a verdadeira amizade, aí está o mesmo querer e o mesmo não querer, tanto mais agradável, quanto mais sincero.
Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae I.42.3


“Qualquer amigo verdadeiro quer para seu amigo: 1) que exista e viva; 2) todos os bens; 3) fazer-lhe o bem; 4) deleitar-se com sua convivência; e 5) finalmente compartilhar com ele suas alegrias e tristezas, vivendo com ele um só coração.”
Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 25, a. 7.

COMO PUBLICAR!!!

AVE DISPUTATORES!!!


Seguem algumas regras básicas de como escrever e publicar no blog. É muito simples. Vamos ficar atentos às regras para que o sistema de informações do blog fique intacto e de fácil busca e compreensão aos outros alunos. 

Este blog tem por objetivo primordial centralizar anotações, observações, materiais e pensamentos dos temas e subtemas das aulas do Prof. Olavo, bem como perguntas respondidas e bibliografias, viabilizando assim a sistematização das informações e, logo, das linhas de pensamento. 

Como publicar:
  1. Ad impossibilia nemo tenetur.
  2. Faça o login e clique em nova postagem. 
  3. Do lado direito clique em Marcadores e digite a aula. Por exemplo "Aula 323". Lembre-se cada marcador é uma aula. Digite sem aspas.
  4. Caso for escrever uma bibliografia da aula serão dois marcadores separados por vírgulas: Aula 01, Bibliografias
  5. Caso for escrever uma pergunta respondida da aula também serão dois marcadores separados por vírgulas: Aula 01, Perguntas
  6. Logo após escreva o título da postagem que deve estar em congruência com o tema, subtema, bibliografia ou pergunta da aula.
  7. Feito isso, escreva o texto com o inicio, o meio e o fim do raciocínio do Prof. Olavo de acordo com o que você quer expressar.
  8. Se possível, escreva em qual minuto da aula o tema foi exposto. Ex: Aula 01 - 0h6m12s
  9. Releia, mantenha os parágrafos bem formatados (Fonte verdana, tamanho normal, formatação normal) e clique em publicar.

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