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| George Gurdjieff |
Bom, Ouspensky foi um dos primeiros alunos do George Gurdjieff, quando Gurdjieff chegou na Europa. Gurdjieff era um matemático de formação, um homem de mente logica. E ele(Ouspensky) tratou de dar ao ensinamento recebido do Gurdjieff os tons de uma doutrina organizada, logicamente organizada. O que o Gurdjieff fez? Deu uma risada. (Porque percebeu que Ouspensky tomou a sério tudo que Gurdjieff disse.) Gurdjieff considerava Ouspensky um gênio ingênuo. O Gurdjieff tinha razão porque ele(Gurdjieff) era o que eu chamo de o gozador cósmico. Ele veio pra fazer uma gigantesca piada e fazer todo mundo de palhaço. Para que? Para debilitar a cultura ocidental, debilitar a intelectualidade européia e abri-la à influencias orientais, sufistas, etc.
O Gurdjieff era contemporâneo do René Guénon. Guénon tinha horror do Gurdjieff, mas o que ele fazia contra o Gurdjieff? Nada! Do mesmo modo como eu observei mais tarde, quando você pega o sucessor do Gurdjieff que é o Idries Shah, o pessoal ligado à Tariqa do Schuon tinha horror ao Idries Shah mas não fazia nada contra ele. Não diziam uma palavra. Porque "alguém lá em cima gosta de mim", como se tivesse um comando que não é pra brigar. Eles não brigavam evidentemente.
O Ouspensky é o sujeito que pegou uma piada de dimensões cósmicas... (e levou a sério).
O Gurdjieff não era um gozador nem um vigarista no sentido vulgar da coisa. Uma cena característica do Gurdjieff: Ele chegou a Nova York e decidiu dar uma entrevista coletiva à imprensa. E apareceu por lá de 30 a 40 repórteres. e o Gurdjieff começou a falar e explicar para eles que todas as ações humanas tinham motivação sexual. Tudo que você fazia. Cada palavra, cada gesto tudo era sexo. E foi criando uma atmosfera de excitação sexual. E os caras já estavam começando a agarrar as mulheres e a fazerem suruba, ai ele disse: Para! Para! Eu disse só para ilustrar a teoria. Veja o domínio que esse sujeito tinha sobre as pessoas. Ele era um grande artista, um gênio fantástico, só que você não pode levar a sério nenhuma palavra do Gurdjieff. Tudo tem uma finalidade psicológica que é desmontar a sua sua auto estima sua auto confiança e tornar você crédulo e vulnerável a qualquer coisa. Que coisa? Algo que vinha depois. Então é a mesma coisa de você dizer nunca existiu uma doutrina Gurdjieff, só existiu uma devastação intelectual que ele fez e fez brilhantemente.
A classe médica britânica, ele dominou inteira. Transformava cientistas em officeboys dele. Um negócio impressionante. Pegava gente do serviço secreto (Ex: o alto oficial do serviço secreto britânico John G. Bennett que depois escreveu uma biografia do Gurdjieff) acreditavam no Gurdjieff cem porcento e o Gurdjieff ria deles pelas costas. Assim como a turma do Idries Shah. Eu vi. No Idries Shah você tinha a massa de devotos e tinha a elite de comando. Quando ele via que alguém tinha jeito de formador de opinião, ele puxava pra entrar na linha de comando. E a primeira informação que você recebia, ao ser chamado para a linha de comando, era "tudo isto aqui é uma palhaçada, esses caras são uns idiotas e nós vamos tomar o dinheiro deles até o fim. Eu recebi esta informação.
Eu fui convidado para entrar na elite. A elite fazia o que? Repartir o dinheiro, era assim o negócio. O Idries Shah tinha muito mais objetivo financeiro do que o Gurdjieff. O Idries Shah era intelectualmente muito inferior ao Gurdjieff. E em matéria de poder psicológico ele era 10% do Gurdjieff. Então o Gurdjieff era um grande gênio e teve uma missão a cumprir na Europa. A missão era devastar, fazer o caos intelectual de maneira que na geração seguinte as pessoas estejam seriamente pensando em "entrar pro Seicho-no-ie, ou qualquer coisa assim".
Voz: Eu me lembro de uma época no Brasil em que ele(Gurdjieff) ficou muito popular. Tinha um livro, nos anos 70, que se chamava "Encontros com Homens Notáveis (autobiografia de Gurdjieff) e depois teve um filme (Meetings with Remarkable Men de 1979 de Peter Brooks) baseado também nas histórias de Gurdjieff. Ou seja, ele era incrível porque ele penetrou em esferas para "comunizar" o mundo inteiro.
Olavo: Peter Brooks era membro de uma escola Gurdjieff (Peter, não Richard.)
Ele penetrou em altas esferas mesmo. Agora, eu digo sinceramente, o melhor leitor que o Gurdjieff teve no Brasil foi eu. Só eu entendi que era uma gozação, não uma gozação simples nem uma vigarisse. Era um plano que tinha uma penetração psicológica muito mais funda do que a aparente doutrina. Veja o Gurdjieff reunia grupos de cientistas lá no castelo do Prieuré e dizia: Vou da uma aula de cosmologia. Daí ia lá e expunha no quadro negro o sistema cosmológico com todas as equações etc. O pessoal ficava deslumbrado porque eram teorias físicas ultra modernas que ninguém teria suspeitado jamais. Daí no dia seguinte o Gurdjieff chegava e dizia: Não é nada daquilo. Eis aqui outro sistema. E expunha. Coisas que um físico levaria anos para conceber o Gurdjieff em 10 minutos concebia, botava na lousa, enganava cientistas profissionais. Daí todo mundo ficava deslumbrado com o segundo sistema, no terceiro dia tinha um outro e no quarto tinha um outro. Ele "criava 10 sistemas cosmológicos" capazes de enganar cientistas profissionais. Depois disso o que acontecia com eles? Eles entravam em estado de "snapping", onde você está totalmente desorientado, perde a capacidade do discernimento e agora aceita qualquer coisa. Que é uma coisa que outros gurus aplicam em jovenszinhos, estudantes etc etc. Mas o Gurdjieff aplicava isso em cientistas e os caras caíam. Em agentes dos serviços secretos. Os caras caíam. Em governantes, em grandes escritores. E os caras caíam. E eram levados quase ao desespero. Leiam o livro do Monsieur Gurdjieff do Louis Pauwels. É um livro contra o Gurdjieff, mas ele mostra que ele ainda tem temor reverencial dentro dele pelo Gurdjieff, passados 30 anos. Arthur Koestler que acabou estourando os miolos (junto com a esposa). Nunca teria acontecido isso se tivessem passado pela escola Gurdjieff.
Eu fui convidado para entrar na elite. A elite fazia o que? Repartir o dinheiro, era assim o negócio. O Idries Shah tinha muito mais objetivo financeiro do que o Gurdjieff. O Idries Shah era intelectualmente muito inferior ao Gurdjieff. E em matéria de poder psicológico ele era 10% do Gurdjieff. Então o Gurdjieff era um grande gênio e teve uma missão a cumprir na Europa. A missão era devastar, fazer o caos intelectual de maneira que na geração seguinte as pessoas estejam seriamente pensando em "entrar pro Seicho-no-ie, ou qualquer coisa assim".
Voz: Eu me lembro de uma época no Brasil em que ele(Gurdjieff) ficou muito popular. Tinha um livro, nos anos 70, que se chamava "Encontros com Homens Notáveis (autobiografia de Gurdjieff) e depois teve um filme (Meetings with Remarkable Men de 1979 de Peter Brooks) baseado também nas histórias de Gurdjieff. Ou seja, ele era incrível porque ele penetrou em esferas para "comunizar" o mundo inteiro.
Olavo: Peter Brooks era membro de uma escola Gurdjieff (Peter, não Richard.)
Ele penetrou em altas esferas mesmo. Agora, eu digo sinceramente, o melhor leitor que o Gurdjieff teve no Brasil foi eu. Só eu entendi que era uma gozação, não uma gozação simples nem uma vigarisse. Era um plano que tinha uma penetração psicológica muito mais funda do que a aparente doutrina. Veja o Gurdjieff reunia grupos de cientistas lá no castelo do Prieuré e dizia: Vou da uma aula de cosmologia. Daí ia lá e expunha no quadro negro o sistema cosmológico com todas as equações etc. O pessoal ficava deslumbrado porque eram teorias físicas ultra modernas que ninguém teria suspeitado jamais. Daí no dia seguinte o Gurdjieff chegava e dizia: Não é nada daquilo. Eis aqui outro sistema. E expunha. Coisas que um físico levaria anos para conceber o Gurdjieff em 10 minutos concebia, botava na lousa, enganava cientistas profissionais. Daí todo mundo ficava deslumbrado com o segundo sistema, no terceiro dia tinha um outro e no quarto tinha um outro. Ele "criava 10 sistemas cosmológicos" capazes de enganar cientistas profissionais. Depois disso o que acontecia com eles? Eles entravam em estado de "snapping", onde você está totalmente desorientado, perde a capacidade do discernimento e agora aceita qualquer coisa. Que é uma coisa que outros gurus aplicam em jovenszinhos, estudantes etc etc. Mas o Gurdjieff aplicava isso em cientistas e os caras caíam. Em agentes dos serviços secretos. Os caras caíam. Em governantes, em grandes escritores. E os caras caíam. E eram levados quase ao desespero. Leiam o livro do Monsieur Gurdjieff do Louis Pauwels. É um livro contra o Gurdjieff, mas ele mostra que ele ainda tem temor reverencial dentro dele pelo Gurdjieff, passados 30 anos. Arthur Koestler que acabou estourando os miolos (junto com a esposa). Nunca teria acontecido isso se tivessem passado pela escola Gurdjieff.
O Gurdjieff foi um agente da guerra cultural. O melhor agente que a guerra cultural já teve. Sem Gurdjieff todo esse negócio de islamismo e etc... as pessoas tinham uma defesa instintiva contra isso, o Gurdjieff foi lá e desligou essa defesa instintiva. E com isso o Ouspensky que não entendeu absolutamente nada, mas entendeu à sua maneira, entendeu que era uma doutrina científica séria. E a expôs e o Gurdjieff riu da cara dele.
Aula 319 - 1h33m15s
Anexo: Quem é Gurdjieff?
Aula 319 - 1h33m15s
Anexo: Quem é Gurdjieff?



