domingo, 7 de agosto de 2016

Considerações sobre o Seminário de Filosofia



Li a apostila "Considerações sobre o Seminário de Filosofia" do professor Olavo de Carvalho e ele me levou a reflexões profundas. Gostaria de compartilhar aqui as partes principais que acho sempre muito bom meditarmos a respeito.

Uma coisa importantíssima é ter sempre aos olhos e coração o objetivo do COF:

"preparar pessoas para que formem uma elite consciente dos deveres espirituais inerentes à vida intelectual e capaz de atuar no sentido de tornar essa consciência um elemento presente e permanente na cultura superior deste país".


Em outro momento o professor diz:

"Meu esforço tem sido o de forçar a cultura brasileira a elevar-se (...) ao nível das grandes questões espirituais e metafísicas que são, a rigor, o único objeto digno da atenção humana."

Olavo fala sobre os grandes desafios e conflitos que o aluno enfrenta no confronto com a cultura local e a vida intelectual que o chama constantemente. Tal confronto exige maturidade e sabedoria.

"O estudante deve aproveitar a ocasião para aprofundar seu conhecimento das suas limitações e forças pessoais, do funcionamento da alma e da sociedade humanas e dos requisitos da vida intelectual.
(...)
"... ninguém pode vencer no mundo exterior um conflito que ainda não venceu dentro de si mesmo".
Deve-se "... tolerar seu ambiente sem prestar atenção nele e concentrando-se em coisas mais altas".

Também diz sobre as fragilidades da juventude atual insegura e egoísta, que "não sabem lidar com as situações humanas mais corriqueiras e transformam tudo em tragédia". O ensino regular, muito fraco, não prepara os alunos para as questões fundamentais para melhor viver o curso: ter um segundo idioma, moral religiosa básica e domínio da língua portuguesa. E que tal fraqueza deverá ser vencida aos poucos durante o curso.


Insiste bastante na importância da boa organização e registro documental de todo o estudo, a transcrição das aulas, as leituras, etc. Dedicação de alma:

"durante o seu aprendizado filosófico, nenhum gênero de exercício escrito é mais importante para a sua formação do que a documentação científica do ensino que está recebendo"

Ele deseja que "a fase da absorção passiva seja superada e o aluno entre na prática da vida intelectual".

Outra coisa essencial é o aluno descobrir e ter diante de si o sentido da vida, sua vocação. Deve procurar resposta para esta pergunta: "Que é que eu e somente eu poderei fazer nesta vida e ninguém poderá fazer no meu lugar?"

O Olavo fala algo que sempre pensei e discerni nas minhas antigas conversas com Deus: você só descobrirá sua grandiosa vocação nas sua fidelidade às suas obrigações pequenas do dia a dia. Sem construir tijolo a tijolo, nunca se construirá seu castelo interior...

"Quando você não sabe o que quer fazer, faça o que é do seu dever" (Juan Alfredo César Müller)

"... em cada situação da vida é preciso que alguém faça alguma coisa e há sempre alguma coisa que só você pode fazer e ninguém mais pode fazer em seu lugar. (...) Se a cada momento você encontra o seu preciso lugar na estrutura moral do mundo, por mais que você esteja na dúvida sobre a sua vocação e seu futuro, a sucessão das decisões moralmente relevantes que você irá tomando acabará por lançar luz no seu caminho e por indicar claramente onde você tem de ir."

Esse sentido da vida, essa vocação é o que temos de mais sublime:

"Nenhum outro desejo humano (...) pode disputar-lhe a primazia, pois é dele que todos adquirem a quota de nobreza que possam ter, e, por conseguinte, a chave da distinção entre o bem e o mal. É bom o que nos eleva à consciência da ordem e do sentido supremos, é mau o que dela nos afasta"

Logo após ele descreve a grande decadência da cultura brasileira que conhecemos tão bem... e conclui:

"A motivação básica de todo meu trabalho tem sido a aspiração de elevar-me e ajudar o meu país a elevar-se acima dessa miséria espiritual, raiz da toda miséria moral e social.
A investigação filosófica, o ensino e o combate cultural têm sido os meus meios de ação. Cada um que teve ocasião de tomar parte nessas atividades, como estudante ou leitor assíduo atesta o poder de inspiração e revigoramento espiritual dos ensinamentos que recebeu. Cada um encontrou, nas minhas aulas e escritos, o reforço de que necessitava para se erguer acima da torpe indiferença, da 'apagada e vil tristeza' do seu meio social e vislumbrar, por instantes, o sentido da vida..."

E termina a apostila falando sobre como o aluno deve valorizar tal riqueza grandiosa deste curso que lhe chega ao acesso. Muito mais valioso do que qualquer quantia ou outra coisa material. É dever reconhecer a grandeza e, em atos concretos, fazer com que não se perca estas preciosidades dedicando-se ao máximo na absorção dos ensinamentos e no desenvolvimento de talentos. Enterrar tais talentos e oportunidade se tornará um pecado imperdoável...


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